Referência nacional em saneamento básico: Vitória tem 99,67% de cobertura de esgoto

Vitória, capital do Espírito Santo, alcançou um marco histórico no cenário do saneamento básico brasileiro. Segundo os dados mais recentes do Censo 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cidade atingiu 99,67% de cobertura de rede de esgoto, colocandose entre as capitais com melhor desempenho do país no tratamento e na coleta de resíduos sanitários.

Esse número não é apenas expressivo — é transformador. Em um país onde a média de cobertura de esgotamento sanitário gira em torno de 56%, Vitória se consolida como um exemplo de política pública eficiente, gestão técnica e compromisso com a qualidade de vida da população. O índice reflete décadas de investimentos, planejamento urbano e parcerias consistentes entre a administração pública e órgãos como a Companhia Espírito-santense de Saneamento (Cesan) e a Agência de Regulação dos Serviços Públicos do Espírito Santo (ARSP).

O que esse índice significa na prática?

Na prática, quase todos os domicílios de Vitória estão conectados a uma rede que coleta e trata o esgoto antes de devolvê-lo ao meio ambiente. Isso significa que o esgoto gerado nas casas, comércios e indústrias da cidade não é lançado in natura em rios, mares ou no solo. Ele é devidamente encaminhado para Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs), onde passa por processos de purificação antes de ser devolvido com segurança à natureza.

Esse cuidado tem impacto direto na saúde da população. Com o esgoto tratado, doenças como diarreia, leptospirose, hepatite A e verminoses se tornam muito menos frequentes. Além disso, há reflexos imediatos na limpeza urbana, na balneabilidade das praias, na qualidade da água dos rios e até no turismo — um setor que depende diretamente da reputação ambiental da cidade.

Um projeto que atravessou gestões

Mais do que uma conquista de uma única administração, o sucesso de Vitória no saneamento básico é fruto de um projeto de Estado — e não de governo. Desde os anos 1990, diferentes prefeitos, com filiações partidárias diversas, deram continuidade a um mesmo compromisso: levar saneamento a todos os cantos da cidade.

A cidade é exemplo de como políticas públicas estruturantes devem ser preservadas ao longo do tempo, independentemente de mudanças no comando político. A visão de longo prazo, a responsabilidade técnica e a articulação entre município, estado e instituições reguladoras permitiram que cada gestão avançasse sobre os resultados da anterior, em um processo contínuo de melhoria e expansão da infraestrutura.

Essa construção pluripartidária revela a maturidade política de Vitória no enfrentamento de um dos maiores desafios urbanos do Brasil: garantir que todo esgoto seja coletado, tratado e devolvido ao meio ambiente com segurança.

Um modelo de cidade saneada

Ao atingir 99,67% de cobertura de esgoto, Vitória mostra que é possível universalizar o saneamento em áreas urbanas, mesmo enfrentando desafios como geografia acidentada, crescimento populacional e desigualdade social. A capital é um exemplo de que, com planejamento, vontade política e gestão eficiente, cidades brasileiras podem sair do discurso e alcançar resultados concretos.

Esse modelo se reflete em outros indicadores. Segundo o Instituto Trata Brasil, Vitória figura frequentemente entre as cidades com menor índice de internações por doenças relacionadas à falta de saneamento. Além disso, a cidade aparece no ranking das capitais com maior proporção de praias próprias para banho durante o verão, um reflexo direto do tratamento adequado do esgoto urbano.

O desafio da manutenção e da equidade

Apesar dos excelentes números, Vitória ainda enfrenta desafios. Um dos principais é manter a qualidade e eficiência do sistema ao longo dos anos, especialmente em meio ao crescimento da cidade e aos impactos das mudanças climáticas. Enchentes e sobrecarga nos sistemas de drenagem, por exemplo, podem comprometer parte do funcionamento das redes, exigindo atenção constante e investimento em resiliência urbana.

Outro ponto de atenção é garantir que os últimos domicílios sem acesso — em geral, localizados em áreas de ocupação irregular ou zonas de risco — sejam incluídos. A universalização plena precisa considerar soluções criativas e sustentáveis para atender a todas as famílias, sem exceção.

Vitória como inspiração

No Brasil de 2025, onde milhões de pessoas ainda vivem sem coleta e tratamento de esgoto, a capital capixaba se destaca como exemplo a ser seguido. Seu índice de 99,67% não deve ser apenas comemorado, mas estudado, divulgado e replicado.

Vitória mostra que saneamento não é apenas uma questão técnica, mas uma escolha de gestãopública, que envolve decisões políticas, investimento social e comprometimento com o bem-estar coletivo. Cuidar do esgoto é cuidar da vida — e a capital do Espírito Santo comprova, com dados, que isso é possível.

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