Parcerias que transformam: os caminhos para a universalização do saneamento no Espírito Santo

A universalização dos serviços de saneamento básico é, hoje, um dos maiores desafios e também uma das principais oportunidades para o desenvolvimento sustentável do Brasil. No Espírito Santo, esse compromisso vem ganhando forma concreta por meio da modernização da gestão, da expansão da infraestrutura e da articulação entre setor público e iniciativa privada.

O recente lançamento do edital de leilão para Parcerias Público-Privadas (PPPs) da CESAN, que acontecerá no próximo dia 17 de junho na sede da B3 (Bolsa de Valores de São Paulo), representa um novo capítulo na história do saneamento capixaba. Serão dois blocos de concessão que englobam 43 municípios, com previsão de investimento superior a R$ 7 bilhões ao longo de até 25 anos, beneficiando diretamente mais de 1,1 milhão de capixabas.

A proposta é ousada, mas necessária: delegar à iniciativa privada a gestão dos sistemas de esgotamento sanitário, mantendo o papel do Estado como indutor de políticas públicas, fiscalizador e garantidor da qualidade dos serviços. Essa modelagem — construída em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV) e validada por consulta pública e análise do Tribunal de Contas do Estado — foi pensada para garantir segurança jurídica, transparência e resultados de longo prazo.

Além de proteger um bem essencial e público, iniciativas dessa natureza integram competências, acelerar investimentos e profissionalizar a operação. O modelo já vem sendo testado com êxito em municípios como Serra, Cariacica e Vila Velha, e agora avança para outras regiões com o objetivo claro de alcançar, até 2033, mais de 90% de cobertura em coleta e tratamento de esgoto.

Além da infraestrutura — que prevê a construção de 39 Estações de Tratamento de Esgoto (ETE), 219 Estações Elevatórias (EEE) e 1.200 km de redes coletoras — o projeto representa ganhos intangíveis, mas fundamentais: saúde pública, preservação ambiental, recuperação de corpos hídricos, despoluição de praias e melhoria da qualidade de vida.

A privatização, neste contexto, não é fim, mas meio. Um caminho para que o Espírito Santo assuma protagonismo na agenda nacional de sustentabilidade, com planejamento, responsabilidade e foco no cidadão. E que sirva, também, como exemplo de como o investimento em saneamento pode ser um motor de transformação social e ambiental.

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